A fila anda.

Rabiscado por Gui Neves | 19/12/2009.

Não tenho aparecido direito por aqui porque apesar de estar acontecendo muita coisa, acho que não tem nenhum assunto que eu ainda não tenha tratado. Como a proposta não era fazer um relato diário, mas sim uma divagação sobre os aspectos de se morar em NY, fico com medo de me tornar redundante aqui. Tudo bem que to devendo aquele post da Broadway (que vou continuar devendo, diga-se de passagem), mas enfim…

Nesse post vou falar um pouco mais sobre o lance do couchsurfing. Em outro post eu expliquei como o couchsurfing funciona. Hoje vou escrever sobre como o couchsurfing tem influenciado minha estadia aqui e também meus hábitos domésticos.

Como vocês já sabem, quando cheguei em NYC, vim para esta casa ficar hospedado por alguns dias até encontrar um lugar fixo para residir. Mas então os moradores do apê me convidaram para morar com eles e cá estou. O couchsurfer virou anfitrião. Entretanto, continuo dormindo na sala, o que faz de mim algo como um couchsurfer permanente, pois não tenho meu próprio quarto e divido, quase que diariamente, a sala com outros couchsurfers que estão sempre de passagem. Neste momento por exemplo estou dormindo sobre o mesmo teto que um finlandês, um dinamarquês, um casal espanhol e duas meninas alemãs.

Mas e a privacidade? E o sossego? E a rotina? Ah, isso tudo é um conforto que eu abdiquei faz tempo. E era algo que eu prezava muito, especialmente durante minha primeira estadia nos EUA, em 2007. E é aí que eu começo a perceber algumas mudanças que esta viagem está acarretando em mim. O Guilherme de 2007 estaria completamente estressado por ser acordado no meio da madrugada por visitantes bêbados que chegam da balada, enquanto ele tem que acordar cedo no dia seguinte. Entraria em depressão com a falta de privacidade para dormir, se trocar e guardar objetos pessoais.  Ficaria puto com o som alto até  altas horas no seu “quarto”. Mas eu to muito de boa, de verdade.

Outra coisa que o couchsurfing tem me proporcionado são novas amizades. Muitas. O que é muito bom, já que eu vim sozinho e estava achando que essa minha temporada aqui seria algo extremamente solitário. Pelo contrario, tenho sempre companhia para ir comer alguma coisa, ir a uma peça, museu ou sair para beber e dançar. O problema é que são pessoas que chegam, eu aprendo a gostar, e vão embora logo em seguida. E apesar de ser muito bacana começar a ter essa rede de contatos por todo mundo, a sensação de estar sempre ficando enquanto os outros estão indo para suas casas ou para outros rumos é um tanto desconfortante. Nessas três semanas que se passaram, foram quase 30 viajantes que vieram, deram o ar de sua graça, e tomaram viajem. Hoje em dia é até estranho quando não temos nenhum hóspede e passo a noite sozinho na sala. Parece que fica faltando um pedaço da casa. As malas jogadas no canto, o sofá cama aberto, colchões inflados e idiomas estranhos…

A cidade em si te proporciona enxergar a diversidade com outros olhos. Ela abriga pessoas de todo mundo, independente de raça, gênero, idade ou credo. E parece que o nosso apartamento é uma versão em miniatura de Nova York, pois ele também abriga pessoas das mais diversas etnias em harmonia. Algumas passam apenas uma noite e mal me recordo seus nomes no dia seguinte, outras ficam mais tempo e acabam me marcando com alguma curiosidade, história ou evento que passamos juntos. Todos eles com as mais diferentes origens, razões para estar aqui e rumos a tomar. Em comum, somente a inevitável partida, enquanto eu observo a fila andar.

Só pra registar, está nevando muito em Nova York. Apesar da beleza da paisagem, andar na rua é uma merda.

Comentários (3)

Comenta aí pô!

  1. mila

    nossa! nao consigo imaginar vc “de boa” com barulho e falta de privacidade… realmente se fosse o gui de 2007 vc estaria precisando de uma volta na praia. =)

  2. Luana

    Eu quero, eu quero!

  3. Nicky Pallas

    Hey Gui, I totally understand the feeling, of hating to see people constantly leave after you just started to get to know them and make great friends with. At first, it made me really sad all the time. But as you get used to it (and you will) you’ll be able to say goodbye to all these great traveler friends, with joy and knowing that you will see them again someday.