On Duty.
Rabiscado por Gui Neves | 10/12/2009.
Já adianto que estou adiando mais uma vez o post sobre as peças de teatro que já assisti por aqui (e a lista está ficando cada vez maior. 5 shows da broadway e um off off off off off off broadway). O post de hoje é pra contar um pouco sobre meus primeiros dias no batente. Pois é, depois de quase 4 meses mamando na teta do seguro desemprego, voltei a trabalhar.
A pouco tempo atrás, lá estava eu no Brasil, atuando como Gerente de Projetos em uma empresa do ramo da tecnologia da comunicação, mergulhado em planilhas, relatórios, gráficos de Gantt, delegando, delegando, delegando (que nada mais é do que mandar o outros fazer o seu trabalho) e sentado na frente de um computador nova horas por dia, até o cú fazer bico. Não poderia pensar num ofício mais contrário que esse do que o emprego no qual estou agora: atentente da loja da Billabong na Times Square, em New York City.
Tá pensando que é fácil? Experimenta ficar em pé sete horas e meia seguidas, com um sorriso amarelo no rosto, com uma música tão alta nos seus ouvidos que chega a ficar impraticável qualquer conversação, tentando não só se comunicar como vender para turistas (que nem sempre sabem inglês e muitas vezes não estão no seu melhor humor) durante o período de Natal. Não to reclamando não, pelo contrário, estou curtindo muito essa experiência (que é completamente diferente da anterior, na Flórida, por exigir menos capacidades motoras e mais capacidades de desenvoltura). Só estou dizendo que o que eu pensava que seria um trabalho simples, tem se mostrado um grande desafio.
Nunca tinha trabalhado com vendas antes. Na verdade, sempre achei muito chato entrar numa loja e ser assediado por um atendente que não me deixava fazer minhas compras em paz. Ironia do destino, agora sou eu que fico perturbando toda pobre alma que entra na loja com perguntas decoradas e felicidade fingida. To pagando pelos meus pecados, tá certo.
Então, estou trabalhando no período da manhã, das 8h45 (quando a loja abre) até as 16h30, com intervalo de 45 minutos para o almoço (que invariavelmente acaba sendo Mc Donalds, por ser a única coisa barata naquela região). Meu trabalho é teoricamente simples, ficar transitando pela loja, fingindo que estou dobrando uma camiseta ou checando os tamanhos das peças para poder abordar os clientes com mais naturalidade. Não ganho comissão, mas tenho metas semanais a serem atingidas. Quando fico abaixo da média, levo mijado. Se a situação se repetir posso levar advertências até ser mandado embora. Se fico acima da média, ganho um tapinha nas costas e dependendo da minha performance um bônus em dinheiro (que é uma mixaria, por sinal). Apesar disso, é um lugar muito bacana pra se trabalhar.
Os outros atendentes são muito gente boa e os gerentes dão um força para me ensinar as táticas de venda com bastante paciência. Todos me dizem que vou me dar bem pelo fato de ser brasileiro e falar português. Mas mesmo assim, quero aproveitar para aprender melhor espanhol e italiano (dois povos que pipocam lá na loja o tempo todo, assim como os alemães, mas esse idioma não tenho a menor esperança de aprender). As roupas da loja (apesar de não fazerem muito meu estilo) são legais e eu provavelmente vou gastar boa parte do meu pay check com os 40% de desconto que eles me dão nos produtos da família Billabong (que envolve Element, Nixon, Quiet Flight, etc).
To curtindo muito, mas estou saindo de lá acabado. Não sei se é porque to velho ou fora de forma, mas ficar sete horas em pé estão acabando comigo. Na Flórida eu chegava a passar quatorze horas em pé direto, no batente, usando sapato, as vezes sob sol escaldante, carregando coisas pesadas e mesmo assim não me lembro de me sentir tão cansado. Espero que eu me acostume com esse ritmo e quem sabe tenha coragem de procurar o segundo emprego pra completar a renda.
Essas foram minhas primeiras impressões. Ao longo do caminho vou contando mais sobre os micos (já rolaram uns inclusive) as roubadas e outras histórias que forem acontecendo na loja. Ao contrário dos primeiros dias, minha vida social deu uma estagnada essa semana, mas quando rolar o próximo day off vou ver se pego uma festinha legal.
A gente vai se falando. Comenta aí o preço da carne no Brasil.