De Molho

Rabiscado por Gui Neves | 03/02/2010.

Fevereiro me pegou de jeito. Por conta de um mau jeito que dei andando de skate, torci o tornozelo e fiquei incapacitado de me movimentar muito nos próximos dias. Resultado: 3 days off seguidos! Yuhha!

Agora a rotina meio que se estabilizou. Billabong de segunda a quinta, Spotted Pig sábado e domingo. Acordar cedo, ir pro trampo de skate, trabalhar feito um cavalo, chegar em casa morto, comer junckie food e dormir cedo vendo alguma série atrasada. Admito que as últimas semanas minha vida social deu uma desanimada, e agora com minha nova aquisição, o vídeo game Xbox 360 (muito cabação falar O vídeo game Xbox 360, mas deve ter gente aqui que não é muito ligada nessas tecnologias), to vendo vou ganhar mais pontos de sedentarismo no jogo da vida.

Com um quarto, uma cama maior e a temperatura nos negativos, dá cada vez mais vontade de ficar em casa ao invés de ir prum bar gastar o dinheiro que eu não tenho. Mesmo assim, hoje vou tirar a bunda da poltrona e sair com os couchsurfers que estão aqui em casa essa semana. São três portugueses, dois australianos, um alemão e uma americana. Além da Vivi, brasileira, a nova residente que vai passar o mês de fevereiro com a gente, dormindo na sala (que nem eu nos velhos tempos) e ajudando a manter a casa limpa. Maravilha.

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Fevereiro já chegou e tá me batendo a impressão de que ainda não fiz nada. Daqui a pouco já tenho que começar a ver a burocracia para renovar o visto e tudo mais. Um saco. Volta e meia me passa pela cabeça largar essa loucura toda e voltar pra casa, mas sinceramente ainda não me sinto confortável para voltar pro Brasil, não enquanto não tiver aquela sensação de dever comprido, de que toda essa mudança repentina fez alguma diferença na minha vida, for good.

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E só pra constar. Pela primeira vez senti falta de uma televisão aqui em casa. Ontem estreou a última temporada de Lost e não pudemos acompanhar ao vivo. Pelo menos o download aqui é mais rápido e dá pra assistir somente com umas duas horas de atraso. Pega nada.

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Carnaval chegando Brasil né? Nem queria mesmo. Quem sabe não pego um Mardi Grass aqui pra ver peitinho. God only knows.

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E lá se foi mais um…

Rabiscado por Gui Neves | 31/12/2009.

É, 2009 já era. Que aninho, hein? Fiz a assustadora idade de 24 anos, perdi o emprego, namorada, o Michael Jackson, o rumo, e acabei vindo parar em New York City. Esse ano não poderia terminar de maneira mais contrária do que começou. ..

2009 não foi um ano de decisões, mas sim de abraçar as indecisões e não ter medo de mergulhar na surpresa. Passei do estado depressivo pós demissão para a euforia pré viagem em questão de minutos. A decisão de se mudar para NYC conseguiu me dar um gás para tirar os pés da cama com um sorriso no rosto todo dia. E minha experiência em terras estrangeiras, apesar de em alguns momentos ser extremamente fatigante e estressante, está sendo ao mesmo tempo esclarecedora. To mais tranquilo com o fato de estar completamente perdido na vida, porque aqui posso simplesmente viver, sem ter que aturar a pressão dos meus círculos sociais no Brasil.

Porra, eu vim aqui escrever sobre a festa de hoje a noite e acabei desabafando, mas enfim. Hoje comemoraremos aqui em casa a virada de ano (New Year’s Eve). Além dos seis residentes e dos 18 couchsurfers (tem gente dormindo até na cozinha), teremos mais de 100 convidados para despirocar até o dia amanhecer. Já to aqui na expectativa, abrindo a primeira cervejinha e cortando os limões para as caipirinhas.

Nada de reveillon na praia, nada de champagne, nada pular ondas. Dessa vez vou celebrar novas tradições para celebrar essa nova vida num ano interamente novo que está chegando.

Feliz ano novo a todos no Brasil!

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A fila anda.

Rabiscado por Gui Neves | 19/12/2009.

Não tenho aparecido direito por aqui porque apesar de estar acontecendo muita coisa, acho que não tem nenhum assunto que eu ainda não tenha tratado. Como a proposta não era fazer um relato diário, mas sim uma divagação sobre os aspectos de se morar em NY, fico com medo de me tornar redundante aqui. Tudo bem que to devendo aquele post da Broadway (que vou continuar devendo, diga-se de passagem), mas enfim…

Nesse post vou falar um pouco mais sobre o lance do couchsurfing. Em outro post eu expliquei como o couchsurfing funciona. Hoje vou escrever sobre como o couchsurfing tem influenciado minha estadia aqui e também meus hábitos domésticos.

Como vocês já sabem, quando cheguei em NYC, vim para esta casa ficar hospedado por alguns dias até encontrar um lugar fixo para residir. Mas então os moradores do apê me convidaram para morar com eles e cá estou. O couchsurfer virou anfitrião. Entretanto, continuo dormindo na sala, o que faz de mim algo como um couchsurfer permanente, pois não tenho meu próprio quarto e divido, quase que diariamente, a sala com outros couchsurfers que estão sempre de passagem. Neste momento por exemplo estou dormindo sobre o mesmo teto que um finlandês, um dinamarquês, um casal espanhol e duas meninas alemãs.

Mas e a privacidade? E o sossego? E a rotina? Ah, isso tudo é um conforto que eu abdiquei faz tempo. E era algo que eu prezava muito, especialmente durante minha primeira estadia nos EUA, em 2007. E é aí que eu começo a perceber algumas mudanças que esta viagem está acarretando em mim. O Guilherme de 2007 estaria completamente estressado por ser acordado no meio da madrugada por visitantes bêbados que chegam da balada, enquanto ele tem que acordar cedo no dia seguinte. Entraria em depressão com a falta de privacidade para dormir, se trocar e guardar objetos pessoais.  Ficaria puto com o som alto até  altas horas no seu “quarto”. Mas eu to muito de boa, de verdade.

Outra coisa que o couchsurfing tem me proporcionado são novas amizades. Muitas. O que é muito bom, já que eu vim sozinho e estava achando que essa minha temporada aqui seria algo extremamente solitário. Pelo contrario, tenho sempre companhia para ir comer alguma coisa, ir a uma peça, museu ou sair para beber e dançar. O problema é que são pessoas que chegam, eu aprendo a gostar, e vão embora logo em seguida. E apesar de ser muito bacana começar a ter essa rede de contatos por todo mundo, a sensação de estar sempre ficando enquanto os outros estão indo para suas casas ou para outros rumos é um tanto desconfortante. Nessas três semanas que se passaram, foram quase 30 viajantes que vieram, deram o ar de sua graça, e tomaram viajem. Hoje em dia é até estranho quando não temos nenhum hóspede e passo a noite sozinho na sala. Parece que fica faltando um pedaço da casa. As malas jogadas no canto, o sofá cama aberto, colchões inflados e idiomas estranhos…

A cidade em si te proporciona enxergar a diversidade com outros olhos. Ela abriga pessoas de todo mundo, independente de raça, gênero, idade ou credo. E parece que o nosso apartamento é uma versão em miniatura de Nova York, pois ele também abriga pessoas das mais diversas etnias em harmonia. Algumas passam apenas uma noite e mal me recordo seus nomes no dia seguinte, outras ficam mais tempo e acabam me marcando com alguma curiosidade, história ou evento que passamos juntos. Todos eles com as mais diferentes origens, razões para estar aqui e rumos a tomar. Em comum, somente a inevitável partida, enquanto eu observo a fila andar.

Só pra registar, está nevando muito em Nova York. Apesar da beleza da paisagem, andar na rua é uma merda.

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As primeiras diferenças.

Rabiscado por Gui Neves | 25/11/2009.

Ainda nem saí do Brasil, mas as diferenças culturais já começaram a aparecer. Algo que eu tinha percebido na minha primeira visita aos EUA e agora volto a notar: a gentileza do povo americano.

Podem falar o que quiser. Que americanos são esnobes, são mesquinhos, são megalomaníacos. A verdade (pelo menos pela minha visão) é que toda essa imagem que os brasileiros fazem do povo da América do Norte é um grande estereótipo errôneo, assim como a burrice dos portugueses ou  frieza do povo nórdico. Os americanos que conheci na temporada de 2007/2008 eram, em sua grande maioria (porque gente ruim existe até no Tibet), pessoas extremamente gentis, cordiais e ordeiras. Chega a ser até meio perturbador quando você está andando em uma calçada e fica recebendo vários “olás”e “bom dias” gratuitos.  Foi até engraçado o caso do albergue onde fiquei quando cheguei em NYC na primeira vez. O único momento onde fomos destratados durante toda nossa estadia na cidade foi quando fomos fazer o check in no tal do albergue. Detalhe: era um brasileiro.

Estou aqui no salão de embarque internacional do aeroporto de Guarulhos e passei por duas situações que exemplificam o que estou falando. A pouco, sentei em um bar/restaurante para tomar um choppinho Heineken (que eu não conhecia, mas aprovei) e tentar recarregar a bateria do notebook. O garçom disse que as únicas mesas que tinham tomadas próximas já estavam ocupadas. Ouvindo isso, um japinha americano (hehehe) que estava sentado em uma das mesas se meteu na conversa e ofereceu para dividir a mesa dele comigo, porque ele já estava terminando de recarregar o dele. O japinha ainda puxou um papo, perguntou pra onde eu ia e deu umas dicas de bares em Soho. Muito massa.

Bem, e agorinha aconteceu outra coisa. Estou sentado aqui no bar da Eisenbahn (beberrão, né?) quando entra dois americanos tentando pedir um chopp e uns sanduíches. A moça do bar não fala nada em inglês e não conseguia entender o que o cara pedia. Aí dessa vez foi eu que me intrometi na conversa e fui traduzindo o pedido dos senhores. No final do pedido, pela ajuda, os americanos me pagaram um chopp Weizenbier (que aqui é bem mais caro do que vocês imaginam, acreditem!).

E só pra completar a linha de pensamento, estou chegando amanhã de manhã em NYC e vou ficar os primeiros dias na casa de um americano que conheci no site www.couchsurfing.com.br (explico mais sobre ele em outro post) através da Débora (falo mais dela em outro post também). O cara vai me hospedar DE GRAÇA até eu conseguir alugar um apê pra mim e pra galera que vai morar comigo. Não tem como dizer que o povo americano é mesquinho depois duma dessas né?

Agora deixa eu terminar meu choppinho antes que esquente.

See you all on the other side!

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Tudo igual… mas tudo diferente

Rabiscado por Gui Neves | .

Há exatos 2 anos atrás eu me encontrava no mesmo lugar no qual estou agora: sentado na praça de alimentação do Aeroporto de Guarulhos, pronto para embarcar para Nova York e começar uma experiência de viver nos Estados Unidos da América. Contudo, apear dessa coincidência de data, local e destino, este momento não poderia ser mais distinto que o que vivi em 2007.

Sim, estou voltando para os Estados Unidos para trabalhar em um sub-emprego e viver a cultura americana, no entanto os planos, os objetivos, as aspirações e as conjunturas são completamente discordantes.

O Guilherme de 2007 preparou aquela viagem durante quase um ano, fez tudo cautelosamente, seguindo o passo-a-passo do programa Work Experience USA. Conseguiu moradia ainda no Brasil (junto com vários amigos e conhecidos), conseguiu um emprego com meses de antecedência, escolheu uma cidade (Naples, Flórida) com um clima praticamente idêntico à Florianópolis e planejou minuto a minuto sua viagem de chegada à Nova York, onde ficaria por 5 dias. Foi com uma companheira, com quem pode conversar e compartilhar todos os momentos e aventuras da viagem, além do suporte emocional. O Guilherme de 2007 estava indo para conhecer uma cultura, ganhar dinheiro e viajar.

O Guilherme de 2009, há dois meses atrás, mal sabia o que faria no dia seguinte. Resolveu viajar tomado por impulso depois de uma bebedeira. Fechou com a agência sem ter feito nenhuma pesquisa, sem emprego ou moradia, sem conhecer ninguém que já tivesse escolhido o mesmo destino final (NYC), cuja temperatura pode chegar a -10C no ápice do inverno. Está indo sozinho, mesmo sendo a pessoa mais carente do mundo. Tudo cheira a roubada. O Guilherme de 2009 está indo para NYC com o objetivo de clarear a cabeça e se conhecer melhor em um ambiente completamente diferente do seu habitat natural.

A primeira viagem tinha um propósito lúdico mais do que qualquer outra coisa. Era um momento de conhecer coisas, pessoas e lugares. Tudo foi mais fácil, mais mastigado, mais colorido. Dessa vez o propósito ainda está meio turvo. Sei que tenho que ir pra lá, que é a coisa certa a fazer, mas ainda não sei ao certo o porque. Tudo vai ser mais árduo, mais suado, mais complicado e menos recompen$ador, mas nem por isso uma experiência menos enriquecedora.

Hoje o negócio parece mais real, mais pé no chão. Menos fantasioso e mais terreno. Minha expectativa é mais reflexiva e menos ansiosa. Não tem ninguém do meu lado dessa vez. Não tem com quem repartir medos, dúvidas e percepções, então tudo fica guardado e parece que eu finalmente consigo me ouvir. Aquela voz que fica abafada no meio de tantos amigos, familiares, namoradas e transeuntes agora começa a falar com mais propriedade, com mais eloqüência, com mais sentido.

Dessa vez, sozinho. Como, dessa vez, deveria ser.

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Ilustra pra esquentar o assento.

Rabiscado por Gui Neves | 28/07/2009.

Quando vejo um moleque desses mandando ver aos 13 anos, me sinto um merda. Vou pra frente da tablet e tento provar, em vão, que ainda dá tempo de ser um talento prodígio. Mas quanto mais pressão se faz para obter algo artisticamente satisfatório, mais travado a gente fica. Aí uma hora tu taca o f***-se e começa a rabiscar sem compromisso. Numa dessas até que sai algo bacana.

Fiz essa ilustração enquanto tentava pensar numa tirinha sobre cinema. Mas quando o dia não é pra piada, don’t push it.

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Desabafo

Rabiscado por Gui Neves | 21/07/2009.

Deus é minha testemunha que tentei atualizar o layout do blog hoje. Mas tá foda.

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Sobre o total descaso

Rabiscado por Gui Neves | 06/04/2009.

De vez em quando me pego pensando que eu deveria ter um blog (!). A verdade é que constantemente eu esqueço disso aqui e só me lembro quando alguém pergunta das tirinhas.

Pra quem desejar saber, atualmente não tenho mais desenhado, nem em papel higiênico. Falta de tempo, de inspiração, de vontade. Vou tentar continuar atualizando isso aqui mesmo assim.

Queria mudar esse template. Queria aproveitar que já tenho esse domínio pra escrever sobre outras coisas. Só falta tempo, inspiração e vontade.

Obrigado por ouvir.

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Papo de Designer (2)

Rabiscado por Gui Neves | 10/01/2009.

Blogado lá no Design.com.br

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Creep

Rabiscado por Gui Neves | 13/12/2008.

Eu sinto inveja do artistas que se inspiram com as coisas ao redor deles. Eles abstraem a realidade e entram num mundinho deles pra transmitir em rabiscos o que eles estão sentindo vendo um filme, lendo um livro ou ounvido uma música. Se eu estou ouvindo uma música, o máximo que consigo desenhar é eu ouvindo uma música.

Enquanto ouvia uma música do Radiohead, deu essa vontade danada de desenhar com o pé e depois furar meus tímpanos com os lápis. Felizmente, quando a música acabou eu ainda tava desenhando.

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