Mala e Cúia.

Rabiscado por Gui Neves | 02/03/2010.

Um mesinho sem postar, na cara dura vou te dizer. Faltou disposição, vou ser sincero.

Entonces, a vida tá boa, a família vai bem, aquela cosacosilosi. Tanta coisa pra escrever que não sei nem por onde começar. Vamos de tópicos que é mais modernoso, né?

Não moro mais no Harlem Palace. Ainda divido apê com toda aquela galera, mas agora estamos em um apartamento menor na 103 com a Lexignton. Estação de metrô na porta de casa, milhares de mercadinhos, bocas de fumos, alto nível. Meu quarto é um pouco menor que o anterior mas é de buenas. Ainda o divido com o Id, mas o BABACA tá indo embora. Pronto, falei. Alguém aí conhece outro parceiro nerd pra dividir quarto aqui em NYC?

***
Se é pro bem do povo e felicidade geral da nação, diga ao povo que eu fico. Posintão, vou extender minha estadia aqui por mais seis mesinhos, porque esse negócio de vir pra cá só curtir o frio não tá com nada. Quero ver o Central Park floridão em Maio, cheio dos hippies fumando raxixe e fugindo da polícia. Quero ver as tias gordas do Bronx usando shortinhos minúsculos no metrô naquela suvaqueira coletiva que é coisa linda de deus. Pra isso vou alterar meu visto pra estudante e me matricular num cursinho vagabundo aí. Queria começar logo meu curso de cinema, mas a grana ainda tá curta (apesar das coisas estarem finalmente melhorando, financeiramente falando). Vai ficar pro próximo semestre.

***
Festinha de despedida do antigo apartamento vou Tropa de Elite style. Duas viaturas da polícia invadiram o apê e expulsaram a galera toda. Não sei se era porque as quase 400 pessoas, mais o DJ, mais os caras da live percussion estavam fazendo muito barulho a uma da manhã ou foi porque não convidamos nossos vizinhos do andar de baixo.

***
Não trabalho mais na Billabong, graças ao bom Deus. Fudido sim, babaca nunca mais. Tava ganhando mal pra burro e gastando meu tempo fazendo papel de palhaço. To de buenas agora trampando cinco dias por semana no Spotted Pig. To curtindo bastante. Prometo uma refeição de graça lá pro primeiro bacana que vier me visitar aqui.

***
Ainda tenho ido bastante ao teatro. To participando de um clube gold de um site e sempre rola uns ingressos na faixa. Semana passada vi Present Laughter, uma peça bem bacana que tá rolando lá no American Airlines Theater. Ontem assisti a um evento da Broadway de um feriado judeu aleatório. Acho que eu era o único fudido ali sem o piu-piu circuncisado. Galera na beca e eu com o uniforme do trampo sujo de mostarda. Nem ligo-o. To loco pra escrever sobre todas as peças que eu já vi, mas e a disposição, quedê?

***
O tempo aqui tava meio chatinho até semana passada. Nevou muito nas últimas semanas o que me impossibilitou de andar de skate por quase um mês (já tava parada umas semanas por causa do meu calcanhar). Hoje finalmente tirei a poeira do meu long e fui com ele pro trampo. Que maravilha é essa cidade sobre rodas, meu deus.

***
Galera do work-experience tudo indo pra casa e eu ficando. Parece que a brincadeira vai ficar séria. Té logo!

Comentários (2)

De Molho

Rabiscado por Gui Neves | 03/02/2010.

Fevereiro me pegou de jeito. Por conta de um mau jeito que dei andando de skate, torci o tornozelo e fiquei incapacitado de me movimentar muito nos próximos dias. Resultado: 3 days off seguidos! Yuhha!

Agora a rotina meio que se estabilizou. Billabong de segunda a quinta, Spotted Pig sábado e domingo. Acordar cedo, ir pro trampo de skate, trabalhar feito um cavalo, chegar em casa morto, comer junckie food e dormir cedo vendo alguma série atrasada. Admito que as últimas semanas minha vida social deu uma desanimada, e agora com minha nova aquisição, o vídeo game Xbox 360 (muito cabação falar O vídeo game Xbox 360, mas deve ter gente aqui que não é muito ligada nessas tecnologias), to vendo vou ganhar mais pontos de sedentarismo no jogo da vida.

Com um quarto, uma cama maior e a temperatura nos negativos, dá cada vez mais vontade de ficar em casa ao invés de ir prum bar gastar o dinheiro que eu não tenho. Mesmo assim, hoje vou tirar a bunda da poltrona e sair com os couchsurfers que estão aqui em casa essa semana. São três portugueses, dois australianos, um alemão e uma americana. Além da Vivi, brasileira, a nova residente que vai passar o mês de fevereiro com a gente, dormindo na sala (que nem eu nos velhos tempos) e ajudando a manter a casa limpa. Maravilha.

***

Fevereiro já chegou e tá me batendo a impressão de que ainda não fiz nada. Daqui a pouco já tenho que começar a ver a burocracia para renovar o visto e tudo mais. Um saco. Volta e meia me passa pela cabeça largar essa loucura toda e voltar pra casa, mas sinceramente ainda não me sinto confortável para voltar pro Brasil, não enquanto não tiver aquela sensação de dever comprido, de que toda essa mudança repentina fez alguma diferença na minha vida, for good.

***

E só pra constar. Pela primeira vez senti falta de uma televisão aqui em casa. Ontem estreou a última temporada de Lost e não pudemos acompanhar ao vivo. Pelo menos o download aqui é mais rápido e dá pra assistir somente com umas duas horas de atraso. Pega nada.

***

Carnaval chegando Brasil né? Nem queria mesmo. Quem sabe não pego um Mardi Grass aqui pra ver peitinho. God only knows.

Comentários (6)

Raspando a cabeça do Nicky

Rabiscado por Gui Neves | 28/01/2010.

Em um momento “Por Amor”, raspamos a cabeça do Nicky nesta manhã. Favor não reparar na minha cara de sono, meu cabelo e minha camisa do avesso. Agradeço.

Dois meses aqui, só pra constar.

Comentários (3)

Rapidinhas da nova década.

Rabiscado por Gui Neves | 10/01/2010.

E aí pimpolhada, como foi a virada? Festerê? Bacana. Desculpa ae pela demora pra atualizar, mas to numa correria absurda nesse novo ano. Se 2010 continuar nesse ritmo, acho que não aguento até dezembro.

Bem, bora uma rapidinha aqui porque to precisando dormir um pouco:

***

Aqui o reveillon foi frenético. Fizemos aquela festa de New Year’s Eve e foi até maior do que esperávamos. Quase 300 malucos passaram pelo apartamento. Rolou muita bebida, música boa, contagem regressiva, pessoas de todo o mundo (inclusive uma cambada de brasileiros que eu tinha acabado de conhecer) se passando juntas, música ao vivo e uma vaquinha bacana para pagar a empregada no dia seguinte. Dá uma checada neste post no blog da Débora pra ver algumas fotos.

***

Comecei a me adaptar ao trampo da Billabong e finalmente to ficando bom no negócio. Nos últimos dois dias fui top seller da loja (o atendente que mais vendeu) e nessa semana faturei minha primeira estrela de platina, significando que eu vendi 15% acima da minha meta. Além da moralzinha com os chefes, cada vez que eu ganho uma estrela recebo também um bônus no paycheck seguinte.  To curtindo muito trabalhar lá. Se esse trabalho rendes$e mais, eu nem precisava procurar um segundo emprego.

***
Falando nisso, hoje foi meu primeiro dia em um restaurante muito bem conceituado aqui em Nova York, o Spotted Pig. Consegui a vaga de garçom lá graças a Astrid, uma veterana minha do curso de Design da UFSC. O lugar é muito estilinho, com ambiente e música boa, muito bem frequentado e localizado em uns dos melhores bairros de Manhattan. A grana é boa mas o trabalho é pesado demais. Eu até já tenho experiência nessa área (quando morei na Flórida em 2007), mas esse lugar é  bem mais puxado e eu to muito  fora de forma. Fiquei que nem uma barata tonta nas primeiras horas porque o ritmo é frenético. Achei que iam me dispensar ali mesmo, mas no meio da tarde a gerente pediu pra eu ficar até o final e depois perguntou se eu poderia voltar na semana que vem. Resultado: dia de folga é para os fracos. Vai ser billabong de segunda a quinta e Spotted Pig de sexta a domingo. Paulera.

***

Nova York tá bonita e cada vez mais gelada. Anteontem entrei na loucura de andar de skate no Central Park na neve. Apesar de ficar com o nariz congelado, a paisagem do parque com a neve é reconfortante. Conheci também um grupo de skatistas de longboard que fazem eventos regulares aqui na cidade e quando eu estiver mais confiante vou começar a participar. Pois é, quem diria que eu, um baita de um cagão, curtiria tanto um esporte de velocidade.

***

Vou indo, um casal de holandeses vai cozinhar aqui pra gente agora. Um beijo pra todo mundo aí no Brasil. Mandem notícias (menos do BBB), emails, comentem! Quero saber da vida de vocês também!

Comentários (3)

E lá se foi mais um…

Rabiscado por Gui Neves | 31/12/2009.

É, 2009 já era. Que aninho, hein? Fiz a assustadora idade de 24 anos, perdi o emprego, namorada, o Michael Jackson, o rumo, e acabei vindo parar em New York City. Esse ano não poderia terminar de maneira mais contrária do que começou. ..

2009 não foi um ano de decisões, mas sim de abraçar as indecisões e não ter medo de mergulhar na surpresa. Passei do estado depressivo pós demissão para a euforia pré viagem em questão de minutos. A decisão de se mudar para NYC conseguiu me dar um gás para tirar os pés da cama com um sorriso no rosto todo dia. E minha experiência em terras estrangeiras, apesar de em alguns momentos ser extremamente fatigante e estressante, está sendo ao mesmo tempo esclarecedora. To mais tranquilo com o fato de estar completamente perdido na vida, porque aqui posso simplesmente viver, sem ter que aturar a pressão dos meus círculos sociais no Brasil.

Porra, eu vim aqui escrever sobre a festa de hoje a noite e acabei desabafando, mas enfim. Hoje comemoraremos aqui em casa a virada de ano (New Year’s Eve). Além dos seis residentes e dos 18 couchsurfers (tem gente dormindo até na cozinha), teremos mais de 100 convidados para despirocar até o dia amanhecer. Já to aqui na expectativa, abrindo a primeira cervejinha e cortando os limões para as caipirinhas.

Nada de reveillon na praia, nada de champagne, nada pular ondas. Dessa vez vou celebrar novas tradições para celebrar essa nova vida num ano interamente novo que está chegando.

Feliz ano novo a todos no Brasil!

Comentários (5)

Quatro semanas e meia…

Rabiscado por Gui Neves | 27/12/2009.

… é, o tempo passa rápido aqui na grande maçã.  Esse primeiro mês em Nova York tem sido tão intenso e dinâmico que as vezes fica até difícil processar tudo que tá acontecendo. O neve caiu, o natal passou, pessoas vieram e foram embora e eu vou vivendo no automático pra conseguir aguentar o ritmo frenético dessa cidade. Não dá tempo de ficar com preguiça, com tédio ou com saudades. A deprê até bate de vez enquanto, mas sempre tem algo pra me distrair, seja um passeio com novos amigos que fiz na loja, um filme ou peça nova na broadway ou uma cervinha com os couchsurfers e rommates aqui de casa.  Queria conseguir ter mais motivação para parar aqui e escrever com mais frequencia, como faz a Débora no blog dela, que além de ser mais prolixa, também poe sempre fotos nossas lá. Pra tentar atualizar de tudo que tá acontecendo, mais um post em tópicos:

***

O Natal em Nova York é, presumivelmente, muito bonito… e frio! Fizemos uma ceia bem bacana aqui em casa com os residentes, couchsurfers e convidados. Rolou até um amigo secreto de cinco doletas e um pinheirinho roubado que enfeitamos com garrafas de Heineken. Isso ajudou a não noiar pensando no Brasil, nas festas e principalmente na família. Preferi nem ligar pros meus pais pra não dar chance pra melancolia.

***

Ah, comprei meu presente de Natal (é um agrado que eu me dou).  Tinha me dado um DJ Mixer bem bacaninha, mas não me dei muito bem com ele e vou retorna-lo no meu próximo dia de folga. No lugar dele, comprei meu primeiro skate longboard e to curtindo muito brincar com ele nas ruas aqui do East Harlem e principalmente dentro de casa, enquanto espero o tempo melhorar para poder estreá-lo oficialmente no Central Park.

***

A Neve forte que caiu sábado passado ainda permanece nas ruas. Os cinco primeiros minutos vendo os flocos caindo foram muito bacanas, assim como os primeiros dez segundos de passeio enterrando os pés naquela massa gelada. Quando o tênis começou a encharcar e as orelhas congelar, toda a mística de ver neve vou pra casa do chapéu e eu só queria um banho quente. Os primeiros dias deixam a cidade muito bonita, num clima bem natalino mesmo com paisagens como o Central Park completamente alvas. Porém, com o passar do tempo, o gelo vai envelhecendo e descongelando, se misturando com a sujeira das ruas e deixando a cidade com uma cara de ressaca do dia seguinte. Vou dizer que curti mais o outono do que o inverno em Nova York.

***

O trampo, apesar de continuar muito puxado, tem sido muito prazeroso nos últimos dias. Isso porque tenho atendido quase que exclusivamente só brasileiros. A cidade tá infestado de conterrâneos que vieram curtir as festas de fim de ano por aqui e estão aproveitando pra gastar seus ricos dinheirinhos na loja da Billabong. Mineiros, paulistas e cariocas são maioria, mas já esbarrei com umas três famílias de Floripa, um inclusive do Itacorubi (meu bairro no Brasil). Fico muito feliz em ajuda-los não só nas compras, mas também dando dicas de passeios, transporte e atrações. Acabei também fazendo muitas amizades por lá com brasileiros que estão perdidos na cidade e volta e meia até saio com eles depois do expediente.

***

Muita expectativa para a grande festa de fim de ano que faremos no apartamento. Além dos moradores e os quinze couchsurfers que estarão hospedados conosco, esperamos mais de cem pessoas que celebrarão a passagem de 2009 para 2010 em ritmo de festa (feeling hot hot hot!). Consegui folga para o dia seguinte porque sei que não vai ter condições de acordar tão cedo depois de uma noite que promete ser muito despirocada. Se você estiver em NYC dia 31 e quiser curtir com a gente, me manda uma mensagem, um e-mail ou sinal de fumaça que eu te passo nosso endereço.

***

A preguiça de escrever aquele post sobre a Broadway continua imperando e a lista de shows crescendo. Ontem conferi Rock of Ages, o qual altamente recomendo para amantes do bom e velho rock and roll. Com este, a lista aumenta para seis. Quem sabe até a final da viagem eu não completo o albúm…

***

Falando em preguiça, também to comendo mosca pra botar fotos aqui. Mas sempre que posso dou uma atualizada no meu álbum no orkut com as fotos da viagem. Se você não é meu amigo de orkut, me adiciona lá pra ver.

***

Mais alguma coisa? Ah sim! Só pra registrar aqui que fui o grande vencedor da primeira Poker Night aqui em casa. Faturei 45 mangos bonitos.

Comentários (5)

A fila anda.

Rabiscado por Gui Neves | 19/12/2009.

Não tenho aparecido direito por aqui porque apesar de estar acontecendo muita coisa, acho que não tem nenhum assunto que eu ainda não tenha tratado. Como a proposta não era fazer um relato diário, mas sim uma divagação sobre os aspectos de se morar em NY, fico com medo de me tornar redundante aqui. Tudo bem que to devendo aquele post da Broadway (que vou continuar devendo, diga-se de passagem), mas enfim…

Nesse post vou falar um pouco mais sobre o lance do couchsurfing. Em outro post eu expliquei como o couchsurfing funciona. Hoje vou escrever sobre como o couchsurfing tem influenciado minha estadia aqui e também meus hábitos domésticos.

Como vocês já sabem, quando cheguei em NYC, vim para esta casa ficar hospedado por alguns dias até encontrar um lugar fixo para residir. Mas então os moradores do apê me convidaram para morar com eles e cá estou. O couchsurfer virou anfitrião. Entretanto, continuo dormindo na sala, o que faz de mim algo como um couchsurfer permanente, pois não tenho meu próprio quarto e divido, quase que diariamente, a sala com outros couchsurfers que estão sempre de passagem. Neste momento por exemplo estou dormindo sobre o mesmo teto que um finlandês, um dinamarquês, um casal espanhol e duas meninas alemãs.

Mas e a privacidade? E o sossego? E a rotina? Ah, isso tudo é um conforto que eu abdiquei faz tempo. E era algo que eu prezava muito, especialmente durante minha primeira estadia nos EUA, em 2007. E é aí que eu começo a perceber algumas mudanças que esta viagem está acarretando em mim. O Guilherme de 2007 estaria completamente estressado por ser acordado no meio da madrugada por visitantes bêbados que chegam da balada, enquanto ele tem que acordar cedo no dia seguinte. Entraria em depressão com a falta de privacidade para dormir, se trocar e guardar objetos pessoais.  Ficaria puto com o som alto até  altas horas no seu “quarto”. Mas eu to muito de boa, de verdade.

Outra coisa que o couchsurfing tem me proporcionado são novas amizades. Muitas. O que é muito bom, já que eu vim sozinho e estava achando que essa minha temporada aqui seria algo extremamente solitário. Pelo contrario, tenho sempre companhia para ir comer alguma coisa, ir a uma peça, museu ou sair para beber e dançar. O problema é que são pessoas que chegam, eu aprendo a gostar, e vão embora logo em seguida. E apesar de ser muito bacana começar a ter essa rede de contatos por todo mundo, a sensação de estar sempre ficando enquanto os outros estão indo para suas casas ou para outros rumos é um tanto desconfortante. Nessas três semanas que se passaram, foram quase 30 viajantes que vieram, deram o ar de sua graça, e tomaram viajem. Hoje em dia é até estranho quando não temos nenhum hóspede e passo a noite sozinho na sala. Parece que fica faltando um pedaço da casa. As malas jogadas no canto, o sofá cama aberto, colchões inflados e idiomas estranhos…

A cidade em si te proporciona enxergar a diversidade com outros olhos. Ela abriga pessoas de todo mundo, independente de raça, gênero, idade ou credo. E parece que o nosso apartamento é uma versão em miniatura de Nova York, pois ele também abriga pessoas das mais diversas etnias em harmonia. Algumas passam apenas uma noite e mal me recordo seus nomes no dia seguinte, outras ficam mais tempo e acabam me marcando com alguma curiosidade, história ou evento que passamos juntos. Todos eles com as mais diferentes origens, razões para estar aqui e rumos a tomar. Em comum, somente a inevitável partida, enquanto eu observo a fila andar.

Só pra registar, está nevando muito em Nova York. Apesar da beleza da paisagem, andar na rua é uma merda.

Comentários (3)

On Duty.

Rabiscado por Gui Neves | 10/12/2009.

Já adianto que estou adiando mais uma vez o post sobre as peças de teatro que já assisti por aqui (e a lista está ficando cada vez maior. 5 shows da broadway e um off off off off off off broadway). O post de hoje é pra contar um pouco sobre meus primeiros dias no batente. Pois é, depois de quase 4 meses mamando na teta do seguro desemprego, voltei a trabalhar.

A pouco tempo atrás, lá estava eu no Brasil, atuando como Gerente de Projetos em uma empresa do ramo da tecnologia da comunicação, mergulhado em planilhas, relatórios, gráficos de Gantt, delegando, delegando, delegando (que nada mais é do que mandar o outros fazer o seu trabalho) e sentado na frente de um computador nova horas por dia, até o cú fazer bico. Não poderia pensar num ofício mais contrário que esse do que o emprego no qual estou agora: atentente da loja da Billabong na Times Square, em New York City.

Tá pensando que é fácil? Experimenta ficar em pé sete horas e meia seguidas, com um sorriso amarelo no rosto, com uma música tão alta nos seus ouvidos que chega a ficar impraticável qualquer conversação, tentando não só se comunicar como vender para turistas (que nem sempre sabem inglês e muitas vezes não estão no seu melhor humor) durante o período de Natal. Não to reclamando não, pelo contrário, estou curtindo muito essa experiência (que é completamente diferente da anterior, na Flórida, por exigir menos capacidades motoras e mais capacidades de desenvoltura). Só estou dizendo que o que eu pensava que seria um trabalho simples, tem se mostrado um grande desafio.

Nunca tinha trabalhado com vendas antes. Na verdade, sempre achei muito chato entrar numa loja e ser assediado por um atendente que não me deixava fazer minhas compras em paz. Ironia do destino, agora sou eu que fico perturbando toda pobre alma que entra na loja com perguntas decoradas e felicidade fingida. To pagando pelos meus pecados, tá certo.

Então, estou trabalhando no período da manhã, das 8h45 (quando a loja abre) até as 16h30, com intervalo de 45 minutos para o almoço (que invariavelmente acaba sendo Mc Donalds, por ser a única coisa barata naquela região). Meu trabalho é teoricamente simples, ficar transitando pela loja, fingindo que estou dobrando uma camiseta ou checando os tamanhos das peças para poder abordar os clientes com mais naturalidade. Não ganho comissão, mas tenho metas semanais a serem atingidas. Quando fico abaixo da média, levo mijado. Se a situação se repetir posso levar advertências até ser mandado embora. Se fico acima da média, ganho um tapinha nas costas e dependendo da minha performance um bônus em dinheiro (que é uma mixaria, por sinal). Apesar disso, é um lugar muito bacana pra se trabalhar.

Os outros atendentes são muito gente boa e os gerentes dão um força para me ensinar as táticas de venda com bastante paciência. Todos me dizem que vou me dar bem pelo fato de ser brasileiro e falar português. Mas mesmo assim, quero aproveitar para aprender melhor espanhol e italiano (dois povos que pipocam lá na loja o tempo todo, assim como os alemães, mas esse idioma não tenho a menor esperança de aprender).  As roupas da loja (apesar de não fazerem muito meu estilo) são legais e eu provavelmente vou gastar boa parte do meu pay check com os 40% de desconto que eles me dão nos produtos da família Billabong (que envolve Element, Nixon, Quiet Flight, etc).

To curtindo muito, mas estou saindo de lá acabado. Não sei se é porque to velho ou fora de forma, mas ficar sete horas em pé estão acabando comigo. Na Flórida eu chegava a passar quatorze horas em pé direto, no batente, usando sapato, as vezes sob sol escaldante, carregando coisas pesadas e mesmo assim não me lembro de me sentir tão cansado. Espero que eu me acostume com esse ritmo e quem sabe tenha coragem de procurar o segundo emprego pra completar a renda.

Essas foram minhas primeiras impressões. Ao longo do caminho vou contando mais sobre os micos (já rolaram uns inclusive) as roubadas e outras histórias que forem acontecendo na loja. Ao contrário dos primeiros dias, minha vida social deu uma estagnada essa semana, mas quando rolar o próximo day off vou ver se pego uma festinha legal.

A gente vai se falando. Comenta aí o preço da carne no Brasil.

Comentários (10)

Literatura para os sovinas.

Rabiscado por Gui Neves | 05/12/2009.

Nove dias em NYC. Nove dias de turista, devo dizer. Porém, isso está pra acabar. Já tenho data e hora pra começar a trabalhar! Segunda as 10 da manhã. Não vou dizer que estava louco pra começar no trampo porque pra ser bem sincero dá pra você ficar um bom tempo nessa cidade sem se sentir ocioso. Mas pelo menos a partir de agora não vou sentir tanto peso na consciência ga$$$tando como estou fazendo.

Nessas pequenas férias, tive a oportunidade de conhecer muita gente, beber em diversos bares, comer comidas estranhas, passear em lugares diferentes e gastar relativamente pouco para fazer tudo isso. A pluralidade da cidade te proporciona, quando você sabe onde procurar, encontrar pechinchas muito boas. Uma delas já comentei no post anterior, a loteria de bilhetes da Broadway. Mas é claro que tem muito mais.

Esse post é só pra fazer um rápido merchan gratuito pra duas literaturas que vem me ajudando muito desde a primeira vez que vim para Nova York.

O primeiro é o site Nova York para Mãos de Vaca, um guia já bem conhecido pelo pessoal que pretend viajar para cá e conseguir se segurar nas economias. Desde 2007, o blogueiro brasileiro (mas residente aqui na cidade) Henry Bugalho vem trazendo informações e dicas de como aproveitar a cidade gastando pouco. O roteiro da minha primeira viagem fiz totalmente em cima desse blog. Recomendo que você leia por ordem cronológica, até porque as principais dicas estão em 2007. Hoje em dia já não acho os novos posts tão interessantes, mas vale a pena ficar de olho. Ele também comercializa um guia em PDF por 12 reais, mas é só uma compilação dos melhores posts.

O segundo é um livro que comprei ainda no Brasil chamado “Nova York Grátis e Muito Barata” da Frommer’s. A publicação traz mais de 350 dicas de eventos, atrações, cursos e ambientes que você pode frequentar sem gastar nada ou pagando bem abaixo da tabela de preços de nova York. Deixo esse livro aqui do lado da cama e to sempre folheando ele quando estou sem idéias do que fazer. Precinho meio salgado, mas acaba compensando com as boiadas que você acaba conseguindo.

Eu fiquei de escrever aqui sobre minhas impressões sobre os shows da Broadway que eu vi até agora, mas to sem paciência pra pensar agora. Também quero falar um pouco sobre o apartamento que eu to morando, mas fica pra próxima.  Té mais.

Comentários (0)

All That Cheap Jazz

Rabiscado por Gui Neves | 03/12/2009.

Quem me conhece sabe que eu sempre gostei muito de teatro. Morei a vida inteira na frente de um Departamento de Artes e tive a oportunidade de crescer indo assistir a ensaios abertos e peças montadas pelos estudantes universitários. Infelizmente, morando em Florianópolis, você não tem muita opção quando se trata de espetáculos profissionais. Temos poucos espaços, companhias de artes desvalorizadas e uma cultura de só absorver aquilo que já foi anunciado no Programa do Jô. Por isso, morar em Nova York tem sido uma experiência revigorante quando se trata de cultura. Sim, hoje vou falar um pouco da Broadway.

Alguns anos atrás, meu conhecimento sobre essa grande indústria do teatro novaiorquino se resumia ao Fastasma da Ópera, Chicago e Cats (que já nem tá mais em cartaz, mas enfim). Mas quando vim pela primeira vez pra cá, descobri a quantidade absurda de shows, espaços e talentos espalhados por toda a região da Times Square. Desde então tenho me mantido meio antenado sobre o assunto e vim pra cá com bastante expectativa para assistir alguns shows.

Aí você me pergunta. Mas Guilherme, os shows na Broadway não são uma facada abusrda? E eu respondo: sim, são um roubo. Os ingresso variam de $50 a $250 dólares. MAAAAS, hoje vou dar umas dicas aqui sobre como assistir as melhores peças gastante relativamente muito pouco.

Existem basicamente três formas de se conseguir ingressos baratos. A primeira, e a mais tradicional, é indo no guichê da TKTS na Times Square. Trata-se de uma organização que vende os ingressos excedentes para as apresentações do mesmo dia. Os descontos lá variam de 30% a 60% (Assisti Mary Poppins, por exemplo, pagando 29 dólares). O inconveniente são as grandes filas (principalmente por conta da turistada) e a falta de garantia que você vá conseguir um bom negócio para o show que você quer ver. Além disso, as peças mais requisitadas quase nunca tem ingressos sobrando, então você dificilmente vai conseguir um bom negócio lá para ver o Rei Leão, Mamma Mia ou Wicked.

A segunda forma é indo até a bilheteria do próprio teatro e se informando se eles tem políticas de “Rush Tickets” ou “Lottery Tickets”. Os Rush Tickets são ingressos limitados vendidos somente para estudantes em uma determinada hora do dia. O desconto pode chegar a 50%. A Lottery Ticket funciona um pouco diferente. Duas horas antes de cada sessão, as pessoas que querem tentar conseguir ingressos bons gastando pouco vão até a frente do teatro e participam de um sorteio. Um número X de cadeiras é sorteado todo dia, e os vencedores pagam somente $25 para assistir nas primeiras fileiras, ou de camarote. Foi assim que consegui assistir Hair ontem, praticamente colado no palco. Irado. O lado negativo é que não existe garantia que você vá assistir a peça, vai depender da sua sorte.

A terceira forma é uma maneira muito informal, mas extremamente rotineira, de conseguir ingressos. Os americanos normalmente compram os ingressos para as peças com dias, semanas de antecedência e as vezes, no dia do espetáculo, estão com outro compromisso marcado. O que eles fazem é ir para frente do teatro tentar vender os ingressos para as pessoas que estão indo na bilheteria comprar ingressos para o mesmo dia. Aí o desconto vai depender do desespero do vendedor em se livrar dos ingressos e da lábia do comprador em pechinchar. Ontem dei a sorte grande e fui abordado por uma senhora na frente do teatro onde está passando Billy Elliot. Ela estava tentando vender um ingresso que custava $130 por $75. Depois de uma chorada, falando que eu era brasileiro, universitário, corinthiano sofredor (cruzes) ela me vendeu por $40. Eu nunca conseguiria assistir essa peça com mais vantagem. Esse método pode ser o mais recompen$ador, mas também é o mais perigoso. Existem vários malandros tentando vender tickets falsos para turistas. Então a melhor coisa a fazer é, antes de comprar, comparar o ingresso com os ingressos sendo vendidos na bilheteria (peça para alguém que acabou de comprar só mostrar os seus ingressos).

Ow, o post ficou grande, queria falar das peças que assisti aqui, mas deixa pra amanhã (prometo). Hoje tem encontro do Couchsurfing!

Comenta aí cambada!

Comentários (9)

Mais antigos »