All That Cheap Jazz

Rabiscado por Gui Neves | 03/12/2009.

Quem me conhece sabe que eu sempre gostei muito de teatro. Morei a vida inteira na frente de um Departamento de Artes e tive a oportunidade de crescer indo assistir a ensaios abertos e peças montadas pelos estudantes universitários. Infelizmente, morando em Florianópolis, você não tem muita opção quando se trata de espetáculos profissionais. Temos poucos espaços, companhias de artes desvalorizadas e uma cultura de só absorver aquilo que já foi anunciado no Programa do Jô. Por isso, morar em Nova York tem sido uma experiência revigorante quando se trata de cultura. Sim, hoje vou falar um pouco da Broadway.

Alguns anos atrás, meu conhecimento sobre essa grande indústria do teatro novaiorquino se resumia ao Fastasma da Ópera, Chicago e Cats (que já nem tá mais em cartaz, mas enfim). Mas quando vim pela primeira vez pra cá, descobri a quantidade absurda de shows, espaços e talentos espalhados por toda a região da Times Square. Desde então tenho me mantido meio antenado sobre o assunto e vim pra cá com bastante expectativa para assistir alguns shows.

Aí você me pergunta. Mas Guilherme, os shows na Broadway não são uma facada abusrda? E eu respondo: sim, são um roubo. Os ingresso variam de $50 a $250 dólares. MAAAAS, hoje vou dar umas dicas aqui sobre como assistir as melhores peças gastante relativamente muito pouco.

Existem basicamente três formas de se conseguir ingressos baratos. A primeira, e a mais tradicional, é indo no guichê da TKTS na Times Square. Trata-se de uma organização que vende os ingressos excedentes para as apresentações do mesmo dia. Os descontos lá variam de 30% a 60% (Assisti Mary Poppins, por exemplo, pagando 29 dólares). O inconveniente são as grandes filas (principalmente por conta da turistada) e a falta de garantia que você vá conseguir um bom negócio para o show que você quer ver. Além disso, as peças mais requisitadas quase nunca tem ingressos sobrando, então você dificilmente vai conseguir um bom negócio lá para ver o Rei Leão, Mamma Mia ou Wicked.

A segunda forma é indo até a bilheteria do próprio teatro e se informando se eles tem políticas de “Rush Tickets” ou “Lottery Tickets”. Os Rush Tickets são ingressos limitados vendidos somente para estudantes em uma determinada hora do dia. O desconto pode chegar a 50%. A Lottery Ticket funciona um pouco diferente. Duas horas antes de cada sessão, as pessoas que querem tentar conseguir ingressos bons gastando pouco vão até a frente do teatro e participam de um sorteio. Um número X de cadeiras é sorteado todo dia, e os vencedores pagam somente $25 para assistir nas primeiras fileiras, ou de camarote. Foi assim que consegui assistir Hair ontem, praticamente colado no palco. Irado. O lado negativo é que não existe garantia que você vá assistir a peça, vai depender da sua sorte.

A terceira forma é uma maneira muito informal, mas extremamente rotineira, de conseguir ingressos. Os americanos normalmente compram os ingressos para as peças com dias, semanas de antecedência e as vezes, no dia do espetáculo, estão com outro compromisso marcado. O que eles fazem é ir para frente do teatro tentar vender os ingressos para as pessoas que estão indo na bilheteria comprar ingressos para o mesmo dia. Aí o desconto vai depender do desespero do vendedor em se livrar dos ingressos e da lábia do comprador em pechinchar. Ontem dei a sorte grande e fui abordado por uma senhora na frente do teatro onde está passando Billy Elliot. Ela estava tentando vender um ingresso que custava $130 por $75. Depois de uma chorada, falando que eu era brasileiro, universitário, corinthiano sofredor (cruzes) ela me vendeu por $40. Eu nunca conseguiria assistir essa peça com mais vantagem. Esse método pode ser o mais recompen$ador, mas também é o mais perigoso. Existem vários malandros tentando vender tickets falsos para turistas. Então a melhor coisa a fazer é, antes de comprar, comparar o ingresso com os ingressos sendo vendidos na bilheteria (peça para alguém que acabou de comprar só mostrar os seus ingressos).

Ow, o post ficou grande, queria falar das peças que assisti aqui, mas deixa pra amanhã (prometo). Hoje tem encontro do Couchsurfing!

Comenta aí cambada!

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A saga do apê.

Rabiscado por Gui Neves | 01/12/2009.

Ingenuidade e ignorância são grandes virtudes. Se não fosse por elas eu provavelmente não teria vindo pra Nova York tão calmo em relação à moradia. Eu sinceramente acreditei que chegando eu rapidamente encontraria um lugar confortável (de preferência mobiliado), barato, espaçoso e perto de metrô. Ledo engano.

Procurar apartamento em NYC se mostrou uma das atividades mais desgastantes, trabalhosas e infelizes que já fiz. É como procurar uma agulha no palheiro. Existem, literalmente, centenas de novas ofertas pipocando todos os dias em sites como hotpods e craigslist. Se você não souber exatamente que tipo de apartamento você procura, pode acabar gastando um precioso tempo indo visitar apartamentos errados em regiões longínquas da cidade.

Por isso, o primeiro passo é dar uma filtrada. No meu caso, precisava de um apê com dois quartos, localizado perto de uma linha de metrô, disposto a fazer um contrato de curta duração e custando abaixo de 1500 dólares por mês. Além de todas essas especificações, ainda precisava ser um lugar que aceitasse hospedar 4 pessoas em 2 quartos, o que é muito difícil por aqui, já que os quartos são muito pequenos e os proprietários são muito chatos.

Com tudo isso definido, você tem que ser proativo. Ir nos sites de buscas, ligar para imobiliárias e ficar zanzando pelos bairros nos quais você quer morar para ver se encontra placas de aluga-se. E foi isso que eu fiz, mas depois de muita sola gasta, telefonemas, viagens de metro e visitações o resultado foi pífio. Praticamente nenhum apartamento preenchia todos nossos requisitos, e quando ele era adequado, era o proprietário ou o agente imobiliário que não queria nos aceitar.

Sem contar com toda a chatisse de pagar application, passar por toda a burocracia de verificar referências e bom crédito (que é praticamente impossível quando se é internacional) e atestar condições financeiras para pagar o aluguel.

Enfim, no fim das contas, aconteceu uma grande reviravolta: a casa onde eu to ficando temporariamente vai ter um quarto vago em janeiro. Então até o final do ano eu fico aqui no sofá e depois me mudo lá pra cima (é um duplex, o que em NYC chega a ser um luxo). A parte ruim é que não vou mais morar com a Juliana e com o Bruno, mas em compensação a Débora tá chegando na quinta e vamos dividir o quarto.

É aquela velha história né, as vezes você procura procura, e nos fim das contas aquilo que você precisava estava debaixo dos seus pés.

PS: Dei upload em algumas fotos que já tirei e botei no Orkut. Dá uma olhada lá. Até!

PS²: Um beijão pro meu pai, que tá de aniversário hoje! Te amo!

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Living La Vida Loca

Rabiscado por Gui Neves | 30/11/2009.

To pedindo arrego. Sério, não dá mais! As pernas não me obedecem, o fígado tá chorando, a carteira cada vez mais leve e a cabeça prestes a explodir toda manhã. Não to aguentando o ritmo frenético dos bares Novaiorquinos.

Em quatro dias, já fui em oito bares (sendo que na primeira noite fizemos festa em casa). Uma média de três bares por noite. E aqui parece que o negócio é esse mesmo. Entrar num bar, ficar mal, ir pro próximo, ficar pior, ir pro próximo, cair na sarjeta, morrer ou dormir. Parece muito legal falando assim (e na real é mesmo), mas meu corpo ainda não conseguiu se recuperar da viagem. Esses primeiros dias, que deveriam ser para dar uma relaxada, tem se tornado uma monstruosa maratona ébria pelos bares de Nova York e uma tortura para os meus pés.

O bacana é que, de uma certa forma, é uma maneira divertida de conhecer a cidade. Os bairros Lower East Side, Upper East Side, Soho, Solitas e Union Square conheci com um copo na mão. Ok, eles parecem um pouco mais “blurry” desse jeito, mas é uma forma interessante de ver como a cidade realmente funciona. Existem bairros com maior concentração de bares (especialmente em downtown) mas você pode sempre achar um lugar bacana para beber e assistir a esportes sem precisar pegar um metrô ou taxi.

Os bartenders na sua maioria são muito boa praça. Te chamam pelo nome, lembram o que você gosta de beber, ficam fazendo gracinhas e de vez em quando até rola uma por conta da casa. Claro que tudo isso porque eles querem ganhar a gorjetinha deles (que a gente acaba sempre dando, principalmente depois de umas, quando você já considera o bartender seu melhor amigo). A música varia bastante (mas sempre algo agradável) e em alguns lugares tem a famosa jukebox pra você escolher sua própria setlist (fiz um bar inteiro cantar com Cryin do Aerosmith na outra noite). As pessoas são receptivas e animadas (especialmente quando você fala que é brasileiro) e a comida (quando tem) também não decepiciona. Mas a melhor parte de tudo são as bebidas. A diversidade de marcas e tipos de cervejas e chopps é incrivelmente superior aos bares brasileiros. Gosto especialmente de pedir as Weizenbiers (cervejas de trigo) que são mais leves e com sabor bem diferente.

Bem, pelo menos toda essa despirocaceira deu conteúdo pra um post aqui no blog. Hoje vou lá me apresentar no emprego, e vamos ver se assim eu finalmente me acalmo por aqui.

Ah, to batendo umas fotos aqui com o celular agora. Quando der eu do uma upada e ponho aqui. Vou ficar devendo hoje.

Asta!

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Já no embalo.

Rabiscado por Gui Neves | 28/11/2009.

48 horas depois, no meio dessa correria maluca, consegui um tempinho pra sentar a bunda no sofá e dar uma atualiza nessa minha saga na Big Apple. Como já aconteceu tanta coisa por aqui, vou botar os assuntos em tópicos, não necessariamente em ordem cronológica, e bem resumidos, porque senão não vai ter quem aguente. Bem, vamos nessa:

A FESTA DE THANKSGIVING
O que eu achava que seria um jantar tradicional de um dos mais importantes feriados americanos, veio a se tornar uma festa despirocada com gente de todos os cantos do planeta. Através do Couchsurfing, meus anfitriões convidaram quase 50 pessoas para esse jantar, que depois de arrastar os móveis tomar algumas cervejas e caipirinhas acabou virando uma festa foda. Sem conhecer ninguém, acabei fazendo amizade com italianos, alemãs, tchecas, russas, portugueses, porto riquenhos, brasileiros e, é claro, muitos americanos. Todos incrivelmente gente boas.  Depois da festa, muita gente acabou dormindo aqui na casa deles e eu tenho passado bastante tempo com essa galera do Couchsurfing.

CELULAR
Sim! Já tenho celular! Um Iphone 3G matafa! Maravilha, se quiserem me ligar (vai saber né) meu fone é: 1 (646) 209 4654. Acabei comprando o celular do meu anfitrião Henrique que aproveitou pra dar um upgrade pro Iphone 3GS. Tenho acesso ilimitado a internet, então vou tentar, com a maior frequencia possível, atualizar o blog e o twitter por lá. Ah, caso não saiba, meu twitter é @badjolo, ok?

BROADWAY
Pela primeira vez nessa viagem fui assistir uma peça na Broadway (na primeira vez, por conta da greve da Broadway, só pude ver dois shows não tão legais, Xanadu e Mary Poppins) e dessa vez fui em um dos espetáculos que eu mais queria ver: In the Heights. É um musical sobre a comunidade latina em um bairro chamado Washington Heights, no norte de Manhattan. Ele mistura ritmos latinos com hip hop, é muito engraçado e tem um dos elencos mais fodas que eu já vi (dei a sorte de pegar bastante integrantes do elenco original, como a Andréa Burns e a Mandy Gonzales). Mas o que mais me impressionou foi o jogo de luzes. Os efeitos que as luzes fazem para simular slow motion, fogos de artifícios e o movimento do sol são completamente diferente de tudo que eu já vi. Pra fechar essa noite no clima, fui jantar em um restaurante porto riquenho e comi uma ótima paella tradicionalmente caribenha.

APARTAMENTOS
Comecei hoje minha procura por apartamento e já to bem cansado.  Tem muito apartamento roubada (com quartos que conseguiam ser menores que o meu em Floripa, e olha que eu dormia no quarto de empregada) e gente grossa, mas mesmo assim valeu a pena. Marquei algumas visitas para amanhã e fiquei amigo de uma moça da imobiliária que ficou bem afim de me dar uma força. Agora é celular na mão e abusar do Craigslist.com.

Ainda tinha muita coisa pra dizer, falar sobre como eu (não) estou comendo aqui, sobre o clima maluco (que escurece as 4h da tarde), as novas cervejas que já experimentei e as amizades que fiz, mas fica pra próxima. Esse sofá, apesar de ser ótimo pra dormir, é surpreendentemente desconfortável pra blogar.

Até a próxima!

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E cá estou.

Rabiscado por Gui Neves | 26/11/2009.

Sentado em uma mesa de jantar, repleta de utensílios de cozinha que estão sendo usados para preparar um jantar de Ação de Graças (Thanksgiving) para 50 pessoas (!), eu vos escrevo com incrível empolgação e cansaço.

Depois de intermináveis horas no Aeroporto de Guarulhos e um péssimo vôo de quase 10 horas, finalmente aterrisei em terras estrangeiras. To em Nova York, rapeize! E bem, depois de dois trens, dois metrôs e uma bela de uma caminhada, finalmente cheguei no East Harlem, na casa do pessoal que vai me hospedar até eu achar um lugar para morar. Bem, deixa eu explicar um pouco como eu vim parar aqui nessa casa maluca, com um cara que tá cozinhando desde as 7h da manhã, um senhor barbudo que mora em três cidades diferentes e um gaúcho erradicado na Flórida.

Já ouviu falar no couchsurfing.com? Então, é uma rede social pra pessoas viajantes e pessoas que gostam de receber pessoas viajantes. Você se cadastra no site, preenche seu profile e diz se você está querendo receber pessoas de todo o mundo na sua casa (couching) ou se você quer que as pessoas te recebam nas suas casas (surfing). Isso tudo sem rolar nenhum pagamento por nenhuma das partes. Parece extremamente complicado e perigoso né? Mas não é. Existem sistemas de pontuação e recomendação dos membros  (evitando assim que você receba um maluco na sua casa ou acabe indo parar numa furada, em um país desconhecido). Eu não conhecia esse site até a minha futura Roommate Débora (que é tipo uma personalidade do couchsurfing no sul do Brasil) me mostrou como tudo funciona e de quebra já me conseguiu esse lugar pra ficar. Troquei 2 palavras com os donos da casa e cá estou pelos próximos dias.

Voltando para minha chegada. Depois de acordar uma velhinha por ter apertado o interfone errado, cheguei no apê, tomei um banho, deixei minhas malas e voltei correndo para downtown para assistir a New York Thanksgiving Parade. Para quem não conhece, segue um videozinho com fotos da parada que acabou de acontecer (não pude bater nenhuma foto até agora porque minha máquina quebrou, tenho que comprar uma nova).

Thanksgiving Parade

Toda a região da Broadway e Times Square estava lotada de crianças, moradores e turistas espremidos para ver as atrações da parada. O que mais me chamou atenção foi que, apesar de algumas “celebridades” desfilarem em cima dos carros alegóricos (confesso que só reconheci a Cindy Lauper), a grande atração eram os balões gigantes de personagens infantis da televisão. Todos recebiam uma grande ovação (em especial o do Homem Aranha e do Mickey Mouse), enquanto os carros alegóricos eram somente aplaudidos.

Com toda a agitação ficou difícil achar um lugar para almoçar e mais difícil ainda um lugar com internet grátis. Tentei ir no Ruby Tuesday (em homenagem à alguém) mas a fila me impediu. Acabei comendo dois hot dogs na rua e uma fatia de pizza em um fast food italiano. Até agora, nenhum abuso de preço.

Depois de forrar o estômago, fui procurar uma loja para comprar um telefone celular (de preferência com câmera, 2 em 1 e tal), mas o comércio hoje estava todo fechado, e depois da parada ele simplesmente enlouqueceu. Então decidi voltar pra casa, mas não antes de dar uma passadinha no meu futuro local de trabalho: a loja da Billabong na Times Square (mais isso fica pruma outra hora, só vou adiantar que o lugar é absurdo).

Hoje a noite vou conhecer a tradição do jantar de thanksgiving numa festa com 50 pessoas… mas pra ser bem sincero, agora eu só queria uma cama.

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As primeiras diferenças.

Rabiscado por Gui Neves | 25/11/2009.

Ainda nem saí do Brasil, mas as diferenças culturais já começaram a aparecer. Algo que eu tinha percebido na minha primeira visita aos EUA e agora volto a notar: a gentileza do povo americano.

Podem falar o que quiser. Que americanos são esnobes, são mesquinhos, são megalomaníacos. A verdade (pelo menos pela minha visão) é que toda essa imagem que os brasileiros fazem do povo da América do Norte é um grande estereótipo errôneo, assim como a burrice dos portugueses ou  frieza do povo nórdico. Os americanos que conheci na temporada de 2007/2008 eram, em sua grande maioria (porque gente ruim existe até no Tibet), pessoas extremamente gentis, cordiais e ordeiras. Chega a ser até meio perturbador quando você está andando em uma calçada e fica recebendo vários “olás”e “bom dias” gratuitos.  Foi até engraçado o caso do albergue onde fiquei quando cheguei em NYC na primeira vez. O único momento onde fomos destratados durante toda nossa estadia na cidade foi quando fomos fazer o check in no tal do albergue. Detalhe: era um brasileiro.

Estou aqui no salão de embarque internacional do aeroporto de Guarulhos e passei por duas situações que exemplificam o que estou falando. A pouco, sentei em um bar/restaurante para tomar um choppinho Heineken (que eu não conhecia, mas aprovei) e tentar recarregar a bateria do notebook. O garçom disse que as únicas mesas que tinham tomadas próximas já estavam ocupadas. Ouvindo isso, um japinha americano (hehehe) que estava sentado em uma das mesas se meteu na conversa e ofereceu para dividir a mesa dele comigo, porque ele já estava terminando de recarregar o dele. O japinha ainda puxou um papo, perguntou pra onde eu ia e deu umas dicas de bares em Soho. Muito massa.

Bem, e agorinha aconteceu outra coisa. Estou sentado aqui no bar da Eisenbahn (beberrão, né?) quando entra dois americanos tentando pedir um chopp e uns sanduíches. A moça do bar não fala nada em inglês e não conseguia entender o que o cara pedia. Aí dessa vez foi eu que me intrometi na conversa e fui traduzindo o pedido dos senhores. No final do pedido, pela ajuda, os americanos me pagaram um chopp Weizenbier (que aqui é bem mais caro do que vocês imaginam, acreditem!).

E só pra completar a linha de pensamento, estou chegando amanhã de manhã em NYC e vou ficar os primeiros dias na casa de um americano que conheci no site www.couchsurfing.com.br (explico mais sobre ele em outro post) através da Débora (falo mais dela em outro post também). O cara vai me hospedar DE GRAÇA até eu conseguir alugar um apê pra mim e pra galera que vai morar comigo. Não tem como dizer que o povo americano é mesquinho depois duma dessas né?

Agora deixa eu terminar meu choppinho antes que esquente.

See you all on the other side!

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Tudo igual… mas tudo diferente

Rabiscado por Gui Neves | .

Há exatos 2 anos atrás eu me encontrava no mesmo lugar no qual estou agora: sentado na praça de alimentação do Aeroporto de Guarulhos, pronto para embarcar para Nova York e começar uma experiência de viver nos Estados Unidos da América. Contudo, apear dessa coincidência de data, local e destino, este momento não poderia ser mais distinto que o que vivi em 2007.

Sim, estou voltando para os Estados Unidos para trabalhar em um sub-emprego e viver a cultura americana, no entanto os planos, os objetivos, as aspirações e as conjunturas são completamente discordantes.

O Guilherme de 2007 preparou aquela viagem durante quase um ano, fez tudo cautelosamente, seguindo o passo-a-passo do programa Work Experience USA. Conseguiu moradia ainda no Brasil (junto com vários amigos e conhecidos), conseguiu um emprego com meses de antecedência, escolheu uma cidade (Naples, Flórida) com um clima praticamente idêntico à Florianópolis e planejou minuto a minuto sua viagem de chegada à Nova York, onde ficaria por 5 dias. Foi com uma companheira, com quem pode conversar e compartilhar todos os momentos e aventuras da viagem, além do suporte emocional. O Guilherme de 2007 estava indo para conhecer uma cultura, ganhar dinheiro e viajar.

O Guilherme de 2009, há dois meses atrás, mal sabia o que faria no dia seguinte. Resolveu viajar tomado por impulso depois de uma bebedeira. Fechou com a agência sem ter feito nenhuma pesquisa, sem emprego ou moradia, sem conhecer ninguém que já tivesse escolhido o mesmo destino final (NYC), cuja temperatura pode chegar a -10C no ápice do inverno. Está indo sozinho, mesmo sendo a pessoa mais carente do mundo. Tudo cheira a roubada. O Guilherme de 2009 está indo para NYC com o objetivo de clarear a cabeça e se conhecer melhor em um ambiente completamente diferente do seu habitat natural.

A primeira viagem tinha um propósito lúdico mais do que qualquer outra coisa. Era um momento de conhecer coisas, pessoas e lugares. Tudo foi mais fácil, mais mastigado, mais colorido. Dessa vez o propósito ainda está meio turvo. Sei que tenho que ir pra lá, que é a coisa certa a fazer, mas ainda não sei ao certo o porque. Tudo vai ser mais árduo, mais suado, mais complicado e menos recompen$ador, mas nem por isso uma experiência menos enriquecedora.

Hoje o negócio parece mais real, mais pé no chão. Menos fantasioso e mais terreno. Minha expectativa é mais reflexiva e menos ansiosa. Não tem ninguém do meu lado dessa vez. Não tem com quem repartir medos, dúvidas e percepções, então tudo fica guardado e parece que eu finalmente consigo me ouvir. Aquela voz que fica abafada no meio de tantos amigos, familiares, namoradas e transeuntes agora começa a falar com mais propriedade, com mais eloqüência, com mais sentido.

Dessa vez, sozinho. Como, dessa vez, deveria ser.

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Layout novo, vida nova.

Rabiscado por Gui Neves | 24/11/2009.

Sim! Aconteceu! A tão prometida mudança de layout! E com ela vem também notícias bombásticas.

Estava esperando acontecer esta atualização para comunicar  a mudança editorial que este blog vai sofrer devido a uma grande mudança na minha vida. Acredito que alguns de vocês já saibam, mas pra deixar tudo as claras: estou de malas prontas pra New York City e vou ficar lá por tempo indeterminado.

A boa notícia é que a partir de agora o guineves.com vai estar sendo atualizado com maior regularidade, pois vou utiliza-lo pra relatar minhas experiências lá fora, meu cotidiano, trabalho, atividades culturais, dicas e os desabafos. A má notícia é que durante um tempo você não vai ver tirinhas inéditas por aqui, pois não estou levando nenhum equipamento de desenho e muito menos minha tablet.

(Calma! Não se desespere! Conta até 10! Respira no saquinho! U can do it!)

Tenho planos de comprar uma tablet nova lá, uma bem melhor por sinal, mas quando isso vai acontecer eu não sei.

Este post foi só pra explicar a mudança de layout e de conteúdo. Mais tarde eu falo um pouco mais sobre os planos dessa viagem e os meus objetivos lá. Então se você tiver curiosidade pra saber como um mané se vira na Big Apple, estica por aí que eu conto. Já estou embarcando amanhã, então fica ligado!

PS: Preciso agradecer ao Id (o calouro mais esperto que eu já tive) pela grande ajuda, tanto me ensinando CSS, quanto preparando o blog para essa nova fase. Esse já tem colchão garantido em NYC.

PS²: Desenhei esse layout a quase seis meses atrás, quando não fazia idéia de que eu iria viajar. Apesar disso, parece que serviu direitinho. Um cara sozinho, numa ilha distante, conectado com o mundo pelo computador… bizarro, né?

PS³: Comenta aí o que você achou da mudança.

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Pra não passar em branco…

Rabiscado por Gui Neves | 21/09/2009.

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As quiança e a TV.

Rabiscado por Gui Neves | 10/08/2009.

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